O Governo dos Açores admitiu limitar o número de visitantes na Fajã da Caldeira do Santo Cristo, em São Jorge, após o município alertar para a necessidade de garantir uma “gestão equilibrada” daquela paisagem.
"Com uma vantagem tão competitiva e reconhecida a nível mundial como é Fajã do Santo Cristo, temos de ter especial sensibilidade para uma gestão da sustentabilidade ambiental. Obviamente cuidaremos desse aspeto”, afirmou o líder do executivo regional.
E prosseguiu: “Não se trata de uma obsessão limitativa, mas sim uma opção estratégica de sustentabilidade ambiental”.
José Manuel Bolieiro falava aos jornalistas após uma reunião com a Câmara da Calheta, integrada na visita estatutária do Governo Regional à ilha de São Jorge.
O chefe do executivo dos Açores garantiu que está a ser “avaliada” a possibilidade de controlar o acesso à caldeira do Santo Cristo, lembrando que existem outras zonas da região com limite de visitantes diário como a montanha do Pico ou o ilhéu de Vila Franca do Campo.
O líder regional adiantou que vão ser realizadas intervenções em infraestruturas e no trilho daquela fajã, que é uma das paisagens naturais mais emblemáticas dos Açores.
Bolieiro adiantou, também, que o Governo Regional e a autarquia da Calheta vão assinar durante o primeiro semestre do ano um contrato de cooperação para a requalificação da frente mar da vila, uma obra orçada em seis milhões de euros com financiamento regional, municipal e comunitário.
Já o presidente da Câmara da Calheta definiu a intervenção da frente mar como a “obra do século”, adiantando que a "execução vai ter início ainda este ano”.
O Governo dos Açores já tinha anunciado, a 28 de maio de 2024, que iria comparticipar a obra da frente mar daquela vila.
Sobre a caldeira do Santo Cristo, o autarca Décio Pereira (independente) defendeu a necessidade de “equacionar num futuro próximo a capacidade de carga” do espaço.
“Não podemos esquecer que já existem dias onde passam mais de 600 pessoas na caldeira do Santo Cristo a pé. Portanto, há uma gestão que tem de ser feita de forma equilibrada e sustentada para o futuro”, avisou.