A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), através das suas delegações, vai distribuir um milhão de mensagens nas caixas de correio a perguntar “Quantos vizinhos conhece pelo nome”, num apelo à consciência social e à proximidade comunitária.
Segundo o presidente da CVP, a criação do movimento social de alerta #APortaAoLado surge na sequência de uma avaliação feita pelo organismo, que tem por base os dados estatísticos mais recentes, relativos a 2023, que apontam para cerca de 500 mil idosos a viverem sozinhos.
António Saraiva salientou que Portugal tem a maior percentagem de população idosa da União Europeia e a quarta maior do mundo e defendeu que esses são dados que devem inquietar toda a sociedade.
“Só em 2024, o nosso centro de teleassistência recebeu praticamente 33 mil chamadas, dos quais 57% delas tinham como objetivo mitigar o isolamento social e garantir companhia, ouvir uma voz”, revelou.
Por outro lado, a CVP fez “145 mil chamadas proativas no sentido de verificar o bem-estar destes utentes”, ao mesmo tempo que os pedidos de ajuda à Cruz Vermelha aumentaram 126% nos últimos dois anos.
“São números que nos devem inquietar, porque o crescimento da procura de bens essenciais em 2024 subiu 62%, o apoio a sem-abrigo entre 2022 e 2023 cresceu 80%”, acrescentou.
António Saraiva defendeu que estes dados estatísticos devem inquietar e são a razão pela qual o organismo avança com o movimento #APortaAoLado.
“É um movimento nacional com a distribuição de cerca de um milhão de mensagens em caixas de correio, com uma pergunta central da campanha, ‘Quantos vizinhos conhece pelo nome?’, apelando à consciência social e à proximidade comunitária”, explicou, salientando como, muitas vezes, “o vizinho do segundo não conhece o do primeiro ou não tem com ele qualquer relação de vizinhança”.
Na opinião do responsável, a iniciativa “é sobretudo um convite a repensar a coesão comunitária, a empatia, o papel de cada um na reconstrução do tecido social”, na qual a Cruz Vermelha pretende assumir-se como o meio para gerar “empatia e ação num país e num tempo civilizacional onde a exclusão muitas vezes se esconde atrás de portas fechadas”.
De acordo com António Saraiva, “a emergência é real” e os números demonstram-no, defendendo, por isso, que há necessidade de partilha, de apelo à consciência social, e de a sociedade deixar de viver em “guetos sociais”.
Alertou também para o facto de, além de existirem cerca de 500 mil idosos a viverem sozinhos, por trás das portas fechadas poderem estar realidades de pobreza, doenças mentais ou outras para as quais é preciso estar atento e dar a ajuda necessária.
Para o presidente da CVP, a expectativa é a de que a pergunta nas mensagens na caixa do correio leve cada um a perceber que “provavelmente o vizinho está com uma pobreza escondida”, que basta tocar à porta, “tentar perceber o nome, perceber se na vizinhança pode fazer alguma coisa”.
António Saraiva disse que as 147 delegações da CVP, distribuídas de norte a sul de Portugal Continental, Madeira e Açores, receberam já os panfletos e que a distribuição será feita por voluntários, estimando que possa estar concluída dentro de duas semanas.