João Garcia

Eleições, Gestão Pública e Tradições

01 de Abril de 2025


Listas

A distribuição dos lugares nas listas para as eleições legislativas pelo círculo dos Açores sempre seguiu um critério claro: o primeiro candidato é de São Miguel, o segundo da Terceira, o terceiro do Faial, seguido do Pico e das restantes ilhas. Esta ordem respeita o equilíbrio entre as diferentes realidades açorianas, sobretudo a demográfica.

Nas eleições europeias, os partidos regionais do arco da governação exigem às direções nacionais um lugar elegível, garantindo assim a representação dos Açores em Bruxelas.

No caso das eleições legislativas antecipadas do próximo mês de maio, o PS Açores rompe novamente com a tradição e relega o Eng.º Hugo Pacheco, faialense, para o quarto lugar, quebrando um princípio há muito respeitado. O PSD, por sua vez, mantém a coerência e coloca a Dra. Nuna Menezes na posição que sempre pertenceu ao Faial.

Se, a nível nacional, se exige representação açoriana nos lugares elegíveis, dentro dos Açores esse princípio deveria ser ainda mais respeitado. Os açorianos devem defender os Açores em primeiro lugar, tal como os faialenses devem defender o Faial em primeiro lugar.

 

Parque de Estacionamento

O caso do Parque de Estacionamento da Rua de São João, na Horta, Faial, tornou-se um tema de forte debate, envolvido em duas versões opostas: a do anterior executivo municipal e a do atual. O que deveria ser uma solução para o estacionamento na cidade acabou por gerar mais dúvidas do que certezas. Não se sabe se a demolição foi realmente a melhor opção, se representou um custo adicional para o erário público ou se existiam alternativas mais viáveis, mas é certo que os contribuintes acabaram por suportar custos de um processo que poderia e deveria ter sido resolvido em absoluto consenso.

Cada executivo apresenta a sua narrativa sobre os factos, e a falta de acordo mantém a incerteza sobre o que realmente aconteceu. A ação em tribunal poderá esclarecer algumas questões, mas ainda não se sabe se servirá apenas para apurar responsabilidades técnicas ou se também terá consequências políticas.

Mais do que uma simples questão de gestão, o que está em avaliação é se as decisões tomadas foram as mais acertadas para o interesse público ou se este é mais um caso em que a falta de entendimento político resultou num problema e maiores custos para os contribuintes.

 

Teimosia só no Faial

Ao ouvir a Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Dra. Berta Cabral, na audição sobre a Petição n.º 10/XIII – "Recomendar ao Governo a recuperação urgente das Termas do Varadouro", fica evidente que a sua posição não difere da do antigo Secretário Regional da Economia, Dr. Duarte Ponte. A única diferença entre ambos é partidária, não ideológica, pois ambos defendem um único e só caminho: “A recuperação das Termas do Varadouro deve ser feita por um privado”.

Passaram-se quatro anos sem qualquer avanço, sem iniciativas concretas ou sequer uma tentativa de encontrar soluções. E assim poderão passar mais três décadas, pois desde 1999 que a narrativa se mantém, mas até agora só apareceram intenções, sem nenhum investidor verdadeiramente interessado. Duvido até que tal aconteça.

Curiosamente, em São Miguel e na Graciosa, o Governo assumiu a recuperação de projetos semelhantes, mas no Faial essa vontade nunca existiu e parece não existir. Algo que sempre foi e continuará a ser incompreendido pelos faialenses.

Mais grave ainda, o PSD, que no passado criticava ferozmente o PS por não agir, agora faz exatamente o mesmo. O atual Presidente da Câmara Municipal da Horta, que outrora se apresentava como um fervoroso defensor da recuperação das termas, hoje mantém um silêncio embaraçoso. Afinal, onde está a coerência e o compromisso que tantos apregoavam quando estavam na oposição?

Para piorar, a maioria dos deputados da Comissão Permanente de Economia revelou um desconhecimento absoluto e preocupante sobre este processo e de toda a área do complexo termal. Como é possível que, seis meses após a entrega da petição, não tenham visitado o local? Por que razão a Comissão não foi ver, com os próprios olhos, o estado deplorável daquele espaço? Se não há esforço para conhecer a realidade no terreno, de que serve promover a participação pública?

Sem compromisso e ações concretas, todo o processo perde credibilidade e ficamos como estávamos, tirando a mesma ilação do passado: seja qual for o Governo, a teimosia é sempre e apenas no Faial. Porquê?

 

Romeiros

Não sei se foi a primeira vez, mas, no passado fim de semana, o Faial recebeu os Romeiros do Pico da Pedra, que contam entre os seus membros com um filho desta terra, Hélio Paulo Santos, principal dinamizador desta deslocação. Percorrendo as estradas e igrejas da nossa ilha, deram testemunho de fé e devoção, trazendo ao Faial uma tradição profundamente enraizada em São Miguel.

Este momento não só reforçou os laços entre as ilhas, como também permitiu que a comunidade faialense vivenciasse de perto uma expressão única de espiritualidade e entrega. Um reconhecimento especial é devido aos Romeiros do Pico da Pedra pelo seu esforço e dedicação, assim como a todos os que tornaram possível esta manifestação de fé, acolhendo e apoiando aqueles que, com sacrifício e entrega, mantêm viva esta tradição.

Listas

A distribuição dos lugares nas listas para as eleições legislativas pelo círculo dos Açores sempre seguiu um critério claro: o primeiro candidato é de São Miguel, o segundo da Terceira, o terceiro do Faial, seguido do Pico e das restantes ilhas. Esta ordem respeita o equilíbrio entre as diferen…





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