Carlos Faria

Calma no Faial em tempos de tempestade global

03 de Abril de 2025


Ultimamente tenho estado mais atento às voltas e reviravoltas que estão a acontecer a nível mundial, que estão a provocar uma tempestade perfeita política e económica de âmbito global, do que a olhar para o que está a ocorrer no Faial, neste, apesar de fustigado por tempestades meteorológicas de inverno, parece reinar uma calma normal em matéria política e socioeconómica. Contudo, olhando para cá, descobre-se que aqui o desenvolvimento não está parado. Vários investimentos seguem o seu curso conforme anunciados ou iniciados.

Nos últimos dias estive no Hospital da Horta, onde os incómodos gerados pelas obras provam bem que as intervenções necessárias àquele estabelecimento de saúde estão em curso, e não são poucas, basta ver os muitos espaços que estão condicionados devido aos diferentes trabalhos de construção em distintos locais do edifício.

Paralelamente, os investimentos na unidade hospitalar da Horta não são apenas em matéria de obras, mas também, está prevista a instalação de novos aparelhos. Assim, foi tornado público o fornecimento de novos equipamentos que vão permitir disponibilizar localmente novos exames de diagnóstico, com técnicas mais avançadas, como a Ressonância Magnética Nuclear ou com aparelhos mais atualizados para a realização de Tomografia Axial Computorizada (TAC), em benefício dos habitantes das ilhas do Triângulo.

Todavia, os incómodos de obras estão, neste momento, mesmo a afetar a cidade de norte a sul, sinal evidente de numerosas intervenções de obras públicas em curso nesta terra. Assim, numa das zonas mais movimentadas da Horta, o quarteirão em torno do Café Sport, as alterações ao trânsito mostram que se iniciaram os trabalhos anunciados do Centro de Acolhimento Temporário da Horta.

Igualmente, na rua Ministro Ávila e na zona das Dutras continua-se a sentir as perturbações de trânsito, ruído, vibrações, etc. em resultado da obra, adiada por décadas, da segunda fase da variante à cidade da Horta.

Infelizmente, a perturbação de trânsito na rua de São João resulta de um desinvestimento de um projeto mal executado no passado: o parque de estacionamento; sem nunca se ter compreendido completamente as razões que levaram a que a obra, nos moldes em que fora construída, levasse depois à necessidade da sua demolição ou de outras correções tão profundas, cujos custos, numa ou noutra alternativa, nunca poderiam ser considerados de investimento. Uma herança negativa de um ciclo político do passado que os Faialenses, entretanto, deram por concluído.

Assim, aos olhos de todos os Faialenses, apesar de tudo parecer calmo por cá, a zona da cidade da Horta não está parada e, felizmente, sem a agitação destes tempos tumultuosos ao nível global, existe, por cá, ainda outros projetos a avançar, sendo de destacar, pela sua imponência, o edifício do Tecnopolo MARTEC no Pasteleiro.

Apesar de temer que as incertezas globais podem levar a um final conflituoso e no futuro afetar esta ilha, mas esperando que estejamos apenas numa fase passageira a caminho de um novo equilíbrio internacional pacífico e que as democracias sobrevivam, o Faial, entretanto, não pode ficar a assistir o que se passa no mundo e contentar-se com o que se vê por aqui. O Faialense têm de continuar a sua veia reivindicativa em torno das suas duas maiores infraestruturas: o porto e o aeroporto.

Se para o aeroporto é claro o que os residentes do Faial querem e sabe-se como querem e até esteja em curso a elaboração de um projeto para responder a esse objetivo e modo. No que se refere ao porto, sabe-se o que se quer: o reordenamento da baía portuária sul, melhorar as condições de operacionalidade e de serviços; mas parece não haver ninguém, pessoa ou entidade privada ou pública, que saiba como conseguir esse desiderato de um modo financeira e tecnicamente viável.

Assim, criou-se um círculo vicioso em torno do porto onde, nem a população interessada, nem as autoridades saem para, ao menos, se encontrar e propor uma solução para o problema agravado por erros cometidos no passado. Em democracia compete também aos Faialenses se envolverem neste processo de modo mais pró-ativo, como já fez antes.

Ultimamente tenho estado mais atento às voltas e reviravoltas que estão a acontecer a nível mundial, que estão a provocar uma tempestade perfeita política e económica de âmbito global, do que a olhar para o que está a ocorrer no Faial, neste, apesar de fustigado por tempestades meteorológicas de inverno, parece reinar uma calma norma…





Para continuar a ler o artigo torne-se assinante ou inicie sessão.


Contacte-nos através: 292 292 815.
165
Outros Artigos de Opinião
"Crime Passional"
Jorge Moreira Leonardo

FOLHETIM
.
"Calma no Faial em tempos de tempestade global"
Carlos Faria

REFLEXOS DO QUOTIDIANO
.
"No poder em part-time"
Rui Gonçalves

A ABRIR
.
"Eleições, Gestão Pública e Tradições "
João Garcia

AO ABRIR DA MANHÃ
.
"O Presidente procurou evitar eleições antecipadas?"
Carlos Frayão

REFLEXOS DO QUOTIDIANO
.
"Crime Passional"
Jorge Moreira Leonardo

FOLHETIM
.
"Candidatos surpresa"
Rui Gonçalves

A ABRIR
.
"Salto e Vara: O Método Sustentável Penalizado por…"
João Garcia

AO ABRIR DA MANHÃ
.
"Crime Passional"
Jorge Moreira Leonardo

FOLHETIM
.
"Reflexões sobre Política, Tradição e Turismo"
João Garcia

AO ABRIR DA MANHÃ
.