Opinião Os EUA praticaram, desde sempre, a violência na política por Incentivo 29 de Maio, 2026 publicado por Incentivo 29 de Maio, 2026 30 visualizações 30 Quatro presidentes foram assassinados e 11 sobreviveram… [ihc-hide-content ihc_mb_type=”show” ihc_mb_who=”4,3,2,1″ ihc_mb_template=”1″ ] Um atirador, no passado sábado, disparou sobre agentes dos serviços secretos norte-americanos, num posto de segurança perto da Casa Branca, quando Trump se encontrava no edifício. Que eu saiba, Trump foi, até agora, a única personalidade pública que se pronunciou sobre este facto, com o comentário anódino de que o atirador «tinha um historial de violência e parecia obcecado» pela Casa Branca…1 Contudo, sobre outros actos de violência política ocorridos nos EUA, três ex- presidentes e uma ex-congressista daquele país pronunciaram-se, em termos que merecem, a meu ver, alguma reflexão. Há pouco mais de um mês, aquando de um tiroteio, em Washington, no jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, com a presença de Trump, Barack Obama observou que «cabe a todos nós rejeitar a ideia de que a violência tem lugar na nossa democracia». 2 Há quase dois anos, Bill Clinton, Joe Biden e Obama, a propósito do atentado contra Trump que ocorreu em 13.07.2024, em Butler, na Pensilvânia, fizeram um comentário idêntico: «não há lugar (…) para a violência política» nos EUA. 3 Em 10.09.2025, uma ex-congressista do Partido Democrata, Gabby Giffords, divulgou, sobre o assassinato, a tiro, de um conhecido activista do MAGA, a seguinte mensagem: «Nunca devemos permitir que a América se torne um país que confronta as divergências com violência». 4 Estas declarações pretenderam, certamente, antes de mais, exortar os norte-americanos a condenarem – e a absterem-se de utilizar – a violência na política. Mas elas foram, a meu ver, hipócritas, porque os seus autores, estando cientes de que a violência política nos EUA é antiga e sistémica, referiram-se a ela como se, devendo ser condenada no presente, pudesse ser evitada no futuro, e não como sendo um perigo actual, instalado e profundamente enraizado na sociedade norte-americana… Nenhum deles foi capaz de reconhecer, ainda que indirectamente, que a violência política foi, desde sempre, praticada, nos EUA, ao longo dos seus 250 anos de História. É tão extensa quanto sinistra a lista de Presidentes dos EUA assassinados e alvos de atentados: 4 foram abatidos a tiro (Abraham Lincoln, 1865, James Garfield, 1881, William McKinley, 1901, e John Kennedy,1963); e 11 sobreviveram a planos e tentativas de homicídio (Andrew Jackson, 1835, Theodore Roosevelt, 1912, Franklin Roosevelt, 1933, Harry Truman, 1950, Richard Nixon, 1974, Gerald Ford, 1975, Ronald Reagan, 1981, Bill Clinton, 1994, George W. Bush, 2005, Barack Obama, 2013, e Donald Trump, 2024 e 2026). Sem esquecer que activistas da luta contra a segregação racial (Malcom X e Martin Luther King) e um candidato presidencial (Robert Kennedy) foram assassinados a tiro, o primeiro em 1965 e o segundo e o terceiro em 1968. Mas a violência política nos EUA não tem vitimado só presidentes, candidatos, congressistas, activistas e outras personalidades políticas. Desde a sua independência, os EUA têm praticado, ininterruptamente, uma violência política massiva, a maior parte das vezes sanguinária, quer contra cidadãos americanos, quer contra grupos, comunidades, tribos, raças e etnias. Não incluo nessa violência massiva a Guerra Revolucionária contra o Império Britânico (1775 – 1783), pela qual os EUA conquistaram a independência – que terá sido, de resto, mais motivada por razões de queixa fiscais e económicas dos colonos do que pelas suas aspirações patrióticas – na qual se estima que morreram entre 25.000 a 70.000 norte-americanos. 5 Resultaria muito longo, quase interminável, um levantamento que ambicionasse contemplar todas as manifestações relevantes de violência política massiva na História dos EUA… Assim – entre muitos outros eventos e episódios de períodos tenebrosos da História dos EUA – seleccionei, para, oportunamente, os abordar aqui, os temas do genocídio das «guerras indígenas»; da Guerra Civil Americana; da opressão e da discriminação dos afro-americanos sob a vigência, durante 87 anos, das leis de segregação racial; do linchamento, durante quase 90 anos, de milhares de norte-americanos, na sua maioria negros; e da feroz repressão, pelo macarthismo, de milhares de cidadãos, sob a acusação de serem «anti-americanos»… 1 RTP Notícias, 24.05.2026. 2 Notícias ao Minuto/Lusa, 26.04.2026. 3 RTP Notícias, 14.07.2024, 11:16 horas. 4 Euronews, 11.09.2025, Linha do Tempo: A Violência Política nos EUA Está a Aumentar? 5 https://pt.wikipedia.org/wiki/guerra_de_independ%c3%aancia_dos_estados_unidos. [/ihc-hide-content] Carlos FrayãoEUAViolência política 0 FacebookTwitterPinterestE-mail publicações anteriores PSP e GNR admitem a necessidade de reforço de efetivos e meios nos Açores próximas publicações 21 pilotos inscritos para o Rali Ilha Azul – Cidade Mar Leia também Em memória do meu amigo Álvaro Matos, que... 16 de Julho, 2026 Capital Europeia da Cultura: Compromisso Regional 14 de Julho, 2026 Os Filhos da Reconstrução 7 de Julho, 2026 Reflexões a 4 anos da Agenda 2030: Será... 6 de Julho, 2026 Em memória do meu amigo Álvaro Matos: Quando... 2 de Julho, 2026 Horta, 193 anos de Cidade. Estados Unidos da... 30 de Junho, 2026 Deixe um comentário Cancelar resposta Guardar o meu nome, e-mail e página Web neste navegador para a próxima vez que eu comentar. Δ