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A Última Tentação de Cristo (II)

por Incentivo
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Ele que ficou indiferente quando, por escárnio, Lhe chamaram “O Rei dos Judeus”; quando O desafiaram gritando: – “Olá! Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-Te a Ti mesmo! Desce da Cruz!”; quando os sumos sacerdotes e os doutores da Lei zombavam, dizendo: – “Salvou os outros mas não pode salvar-Se a Si mesmo!”; até quando viu os soldados romanos disputando aos dados a Sua modesta túnica.    Mas. quando gritou por um pouco de água (das poucas vezes que na Sua passagem pelo Mundo, pediu algo apenas para Si) e um reles hipócrita lhe estendeu uma esponja, na ponta de uma cana, embebida em  vinagre. Ele terá pensado lá com as Suas chagas: – Com que então querem violência, seus monstros?

E, então, ter-se-á imaginado descendo da cruz, curando as próprias feridas, o que para Quem ressuscitou mortos, fez andar paralíticos, deu voz a mudos, vista a cegos e ouvido surdos, foi canja. Vestiu a túnica que os soldados romanos tinham abandonado no terror da fuga e, de seguida, agarrou na cana que ainda tinha na ponta a maldita esponja e. com uma pancada certeira, esmigalhou o crânio do hipócrita que o enganara.  Dirigiu-se ao Templo e espetou nos olhos de Caifás os cravos que conservara, propositadamente, consigo e, com um chicote idêntico ao que utilizara para expulsar os vendilhões do Templo, expulsou, desta feita, os sumo sacerdotes e os doutores da Lei, gritando: – Fora seus hipócritas’.

De seguida foram à procura de Pilatos. Mas aí surgiu um pequeno percalço: quando se preparava para o estrangular, com as próprias mãos, apareceu a mulher do governador romano que lhe disse: – Foi para isto que eu, uma romana, me apiedei de Ti? Mata-o e eu continuarei adorando os deuses que sempre adorei. Pelos vistos, não lhes deves nada em violência. Cristo, considerou e poupou a vida ao governador.

O mesmo, porém, não aconteceu com Herodes. Chegado ao palácio, sacudiu-o com um safanão do trono, onde, por sua vez, se sentou e já de posse da coroa e do ceptro, ironizou: – Ó palhaço! Sou ou não o Rei dos Judeus? Decapitou-o e obrigou Salomé a dançar com a cabeça do rei deposto numa bandeja, tal como fizera com João Baptista. Quando se fartou, decapitou-a também, vingando assim, a morte do seu amigo e precursor.

Procurou o túmulo de Judas e, ressuscitando-o, abraçou-o dizendo: – Não te atormentes, irmão! Foste o que, em toda a História, representou o papel mais ingrato. Organizou o exército mais poderoso que a História alguma vez conhecera e expulsou os romanos de toda a Pátria Judaica, perseguindo-os até Roma e, pelo caminho, foi libertando todos os povos que estes haviam subjugado.

Chegado à capital do Império, mandou aprisionar César e que o levassem para o Coliseu com todo a sua corte. Convidou para as bancadas, os escravos, os mendigos e os gladiadores que, nas suas celas, aguardavam o dia de se matarem uns aos outros, para divertimento dos grandes senhores. Mandou soltar os leões, e ficou, deliciado, vendo-os dilacerando os corpos daqueles escroques e das suas “cabras”.

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