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Bloco de Esquerda fala em “silêncio sepulcral” sobre buscas da PJ no parlamento

por Incentivo
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O deputado do BE/Açores lamentou hoje, no parlamento, o “silêncio sepulcral” do Governo Regional e dos partidos que o suportam sobre as buscas realizadas na terça-feira pela Polícia Judiciária (PJ) em “vários locais da administração regional”.

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O parlamentar único do BE António Lima fez hoje, no terceiro dia do plenário de março, uma declaração política sobre a redução do turismo na região e, como o tema não motivou intervenções das restantes bancadas parlamentares nem do executivo, não poupou críticas na intervenção final.

“Pelos vistos, não há ninguém nesta casa preocupado com o futuro da economia da região. Não há ninguém que tenha visto as notícias sobre a escalada de preços do combustível dos aviões. Não há ninguém preocupado com a descida do número de dormidas na região”, lamentou.

E acrescentou: “É a total irresponsabilidade, principalmente dos partidos que têm a responsabilidade neste momento de governar [PSD/CDS-PP/PPM]. E há um silêncio sepulcral nesta casa, apesar dos apartes incomodados da coligação, é o silêncio sobre as explicações que são devidas sobre os negócios que o Governo Regional fez com a Ryanair”.

António Lima dirigiu-se depois à secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, e disse que “não pode estar impávida e serena quando a sua Secretaria está, naturalmente, a ser investigada, toda a gente sabe”.

“Mas é preciso politicamente, [que] a senhora dê explicações a este parlamento sobre o que fez, sobre a sua responsabilidade política sobre esta matéria. A justiça é para a justiça, mas a política é aqui e as e as explicações são devidas”, concluiu.

Antes, o deputado do Bloco tinha dito, na leitura da sua declaração política sobre turismo, que “ventos contrários” também chegaram ao setor, pois a companhia aérea de baixo custo Ryanair “abandona os Açores e encerra todas as rotas”.

“O sol brilha mais para a Ryanair noutros locais e não hesitou em abandonar os Açores, apesar dos milhões que os Açores lhe pagaram em subsídios”, acrescentou.

António Lima referiu que o Governo Regional “esqueceu-se que esquemas de financiamento semelhantes já foram feitos em vários países da Europa e alguns declarados ilegais, como aconteceu em França, em Montpellier”.

“Seria importante que o Governo Regional, deixando a justiça para a justiça, trouxesse as explicações políticas ao parlamento sobre os negócios que fez com a Ryanair. Expliquem-nos então, que negócios foram esses”, exortou, referindo-se à intervenção que a PJ realizou esta semana.

Em relação ao setor, disse ainda que a privatização da SATA Internacional “e a irresponsável ameaça do encerramento deixa um lastro de incerteza” e que a reprivatização da TAP é “mais um fator que traz dúvida aos Açores”.

“A atual situação geopolítica que decorre da guerra e a crise dos combustíveis já está a causar aumento de preços nas viagens internacionais e ameaça o transporte aéreo. É um jogo de risco máximo para um arquipélago que vive de mobilidade”, afirmou.

Texto Lusa | Foto Direitos reservados

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