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© Jornal Incentivo

Corvinos querem navio Thor na Terceira para baixar preços ao consumidor

Comerciantes acusam presidente da Câmara do Comércio de os ter ignorado

por Incentivo
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Os comerciantes do Corvo tomaram uma posição pública de apoio à decisão do Governo de transferir a base do navio Thor para a Praia da Vitória.

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São várias as razões para a preferência manifestada pelos comerciantes e seguida pelo Governo Regional.

Entre elas e, à cabeça, está o preço do cabaz alimentar do Faial. De acordo com Luís Carlos Jorge, um dos quatro comerciantes daquela ilha, que falou ao Incentivo, o Faial pratica preços muito caros.

Com a mudança da base do navio os comerciantes do Corvo poderão passar a comprar no mercado terceirense, segundo Luís Jorge, 20 a 30 por cento mais barato, beneficiando assim toda a população da ilha.

O que os comerciantes pretendem é deixar de comprar em São Miguel, sobretudo os frescos. O frete de São Miguel para o Faial é pago pelos comerciantes do Corvo. Só a partir do Faial é que o transporte é gratuito.

Para além disso, outro aspeto importante da reivindicação dos corvinos, agora aceite pelo Governo, é não ficarem sujeitos a dois transbordos da mercadoria: um em Ponta Delgada, com origem no continente, e outro na Horta, como agora acontece. A mercadoria virá diretamente do continente para a Praia da Vitória e, daí, para o Corvo, numa viagem de cerca de 200 milhas, mais 50 do que a partir do Faial.

Assim, destacam os comerciantes corvinos, poupa-se também tempo porque se anula uma escala, no caso, no porto da Horta.

Para além dos argumentos apresentados, Luís Jorge critica fortemente a posição assumida pelo presidente da Câmara do Comércio no que considera ser a defesa dos comerciantes do Faial e o esquecimento dos do Corvo.

Na base da sua crítica está a falta de contato entre Francisco Rosa e os corvinos. “Nem um telefonema”, afirmou.

Luís Rosa critica também o Presidente da Câmara da Horta e o PS do Faial, igualmente pelas declarações públicas que fizeram.

Tudo começou quando, recentemente, o Conselho do Governo aprovou a alteração ao transporte marítimo para o Corvo sem dar qualquer explicação.

Depois das tomadas de posição públicas, no Faial, e de uma certa contestação generalizada nesta ilha, o Presidente do Governo foi questionado pela comunicação social, mas continuou sem dar explicações.

Só agora elas aparecem, por iniciativa dos comerciantes do Corvo.

Num comunicado distribuído à comunicação social, os comerciantes elogiam a decisão do Governo e atacam com violência a ilha do Faial e os seus representantes.

Depois de elogios, mais ou menos exacerbados, a José Manuel Bolieiro por ter resolvido o problema do abastecimento ao Corvo, o comunicado acusa as câmaras da Horta e do Comércio e o Partido Socialista de uma atitude “até pornográfica”de falarem agora na “defesa da centralidade do Faial”.

Acusam-nos de defenderem os “seus interesses económicos, estratégicos e políticos”.

O comunicado afirma ainda que a população do Faial está a ser “instrumentalizada” numa luta de bairrismo entre ilhas, que em nada interessa aos corvinos, “pelas três ou quatro pessoas que lucram agora com a logística atual centralizada no porto da Horta”.

É, no fundo, “uma operação de tráfico de influências, com o propósito de defender interesses espúrios”.

O texto lembra que a operação montada pelo Governo Regional destina-se a servir a população do Corvo e não a ilha do Faial.

Texto Rui Gonçalves | Foto RTP Açores

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