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Presença da bactéria Legionella no furo do Lameiro Grande foi ocultada

PS acusa Câmara de falta de transparência na salvaguarda da saúde pública

por Incentivo
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Os vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal da Horta vieram publicamente manifestar a sua indignação perante a forma como o executivo municipal geriu a crise de contaminação bacteriológica no Furo do Lameiro Grande.

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Em nota enviada à Redação do Incentivo, Inês Sá e Frederico Soares adiantam que a confirmação, feita apenas no passado dia 21 do corrente mês, pelo Município da Horta, de que o parâmetro detetado no Furo, foi a bactéria Legionella, permite concluir que houve uma “ocultação premeditada” deste tema, bem como um “desrespeito pela transparência” tantas vezes apregoada, para com os munícipes faialenses.

“Perante os factos fica claro que estamos em presença de uma omissão consciente da realidade”, considerando até que os vereadores socialistas haviam questionado diretamente o executivo municipal sobre a natureza da contaminação, tendo sido, já nessa altura, omitida a presença de Legionella, “numa tentativa clara de evitar o escrutínio público”.

Esta atitude, que os socialistas classificam de opacidade, “é agora agravada pelo facto de a Câmara Municipal da Horta ainda não ter dado qualquer resposta ao requerimento formal submetido pelos vereadores do PS sobre esta matéria, demonstrando uma vez mais uma evidente dificuldade por parte deste executivo relativamente à fiscalização democrática que se exige a uma oposição que se quer responsável e acima de tudo transparente”.

Os vereadores da oposição afirmam não poder deixar de criticar a forma pouco rigorosa com que o executivo se referiu a esta ocorrência, caracterizada como sendo de “baixa contagem”, demonstrando uma gestão pouco cuidada perante uma situação potencialmente grave.

Para o PS, em matéria de Saúde Pública e em redes de abastecimento de água não existe lugar para interpretações subjetivas de “baixa contagem” quando se fala de Legionella, especialmente quando esta bactéria é responsável pela Doença do Legionário.

A presença deste patogénico na rede, continuam os vereadores, é, por si só, um indicador de perigo que exige alerta imediato e medidas de proteção que não foram comunicadas atempadamente à população.

“Tentar minimizar a gravidade do problema com terminologia ambígua, pouco ou nada corrobora a defesa intransigente que a todos incumbe, de zelar pela segurança dos nossos munícipes”.

Sublinham ainda que, entre a ocorrência da contaminação e a receção dos resultados laboratoriais que levaram ao encerramento do Furo do Lameiro Grande, o Município da Horta não impediu a continuidade de distribuição desta água, permitindo assim que a população fosse exposta a um risco real, sem qualquer aviso prévio que permitisse adotar medidas de precaução, como evitar aerossóis em banhos ou climatização.

O PS Faial coloca ainda em causa a postura da Direção Regional da Saúde e da ERSARA – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos dos Açores, “sendo incompreensível que estas autoridades, com responsabilidades de vigilância sanitária, tendo conhecimento desta situação, não tenham procedido à divulgação pública da mesma”.

Vincando a crítica que fazem à Câmara, os vereadores sobem o tom, dizendo que “a transparência na comunicação de riscos de saúde pública não é opcional. É um dever legal e moral”.

O Partido Socialista do Faial, concluem, “continuará a exigir o apuramento total das responsabilidades e a implementação de protocolos de comunicação que garantam que nenhum faialense volte a não estar munido de toda a informação necessária perante uma real ameaça à sua saúde”.

Texto Incentivo | Foto Direitos reservados

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