Nacional Sem remoção de alga invasora Cascais podia já não ter praias por Incentivo 25 de Julho, 2025 publicado por Incentivo 25 de Julho, 2025 200 visualizações 200 O responsável pela área do Ambiente na Câmara de Cascais, Luís Capão, admite que, sem o trabalho da autarquia de remoção da alga invasora “Rugulopteryx okamurae”, o município podia já não ter praias. [ihc-hide-content ihc_mb_type=”show” ihc_mb_who=”3,2,1″ ihc_mb_template=”1″ ] Só no ano passado a Câmara retirou das praias duas mil toneladas de algas (que se desprendem e que são arrojadas à praia pelas ondas e marés) e teve inclusivamente de instalar um guindaste numa delas e colocar uma máquina para fazer a limpeza. Desde então, nas praias afetadas, com substrato rochoso, a remoção de biomassa é um trabalho diário, disse o responsável à Lusa, admitindo que se as algas não fossem retiradas Cascais podia já não teria praias, porque a biomassa acabaria por se espalhar por todo o lado. A alga foi detetada no final de 2023 e a Câmara começou a recolher o material arrojado nas praias, mas rapidamente percebeu que seria um trabalho sem fim, disse Luís Capão, recordando que a alga, proveniente da zona do Japão, terá chegado à Europa por Gibraltar e sul de França, provavelmente nas águas de lastro dos navios ou na replantação de ostras (a casca, rugosa, pode albergar muitas espécies invasoras). Depois espalhou-se pelas costas da Andaluzia, norte de Marrocos, ilhas Canárias, Açores e Madeira e no continente, especialmente na zona de Cascais e no Algarve. “Tem uma capacidade de expansão impressionante e a colonização é assustadora”, frisou o diretor municipal de Ambiente, explicando que, além de matar outras espécies de algas, a “Rugulopteryx okamurae” também afeta a fauna marinha. Testes com ouriços-do-mar mostraram que estes deixaram de se reproduzir com a presença da alga, disse. A Câmara de Cascais tem estado a preparar um plano de ação e quer conhecer melhor o comportamento da alga, para saber como atuar. Testou a hipótese de retirar as algas no mar, antes do arrojamento nas praias, mas no teste a rede partiu-se com o peso. Na terça-feira, o Governo aprovou a Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora “Rugulopteryx okamurae”, que está “a alastrar de forma preocupante na costa portuguesa”, segundo um comunicado do executivo, e o responsável autárquico espera que a decisão dê um novo alento à luta contra a alga, que tem impacto na pesca, na biodiversidade, no uso das praias e na economia local. “Em Cascais limpamos as praias todos os dias, na maré baixa. Todos os dias”, disse à Lusa, adiantando que também se está a testar soluções para fazer da alga uma matéria-prima e não um resíduo. Um exemplo é um protocolo entre o Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa, a Câmara de Cascais, e a “startup” OffKelp, na procura de soluções de uso da alga. Isabel de Sousa, professora do ISA, especialista em ciência alimentar, explicou à Lusa que o protocolo prevê uma “ação em várias frentes” na procura de criar valor na alga, para que não vá encher ainda mais os aterros. Os especialistas estão a testar a fermentação e a compostagem da alga, procurando entender o comportamento do tóxico que a alga tem. “A alga tem um tóxico e por isso é que não tem predadores, os peixes não a comem. Mas o tóxico é ainda mal estudado e por isso queremos quantificá-lo com segurança. Pensamos que através da compostagem ou da fermentação conseguimos neutralizar o tóxico”, disse a professora, esperando resultados em breve, porque há toneladas de algas acumuladas e é “quase uma emergência”. Nas palavras da responsável, neutralizar o tóxico é o início de outro processo, de usar a matéria-prima de várias formas, sendo que a que mais destaca é como fertilizante, porque a alga tem muitos minerais, importantes para os solos, e também é rica em cálcio. “Como o tóxico atua a nível celular, se não for neutralizado vamos matar os micro-organismos no solo”, avisou. Outra utilização, que tem estado a ser estudada, é o uso da alga para fabricar “pellets”, para queimar. Ou em compostos usados em farmácia ou cosmética, ou para produzir plástico. Texto Lusa / Foto Direitos Reservados [/ihc-hide-content] AlgaCascisPraias 0 FacebookTwitterPinterestE-mail publicações anteriores Idosos lesados em esquema de “falso acidente” próximas publicações Força Aérea fez “resgate complexo” de homem na montanha do Pico Leia também Tratado do Alto Mar tem “alguns problemas” por... 17 de Julho, 2026 Junho muito quente e seco e com duas... 10 de Julho, 2026 Portugal integra rota do tráfico marítimo de cocaína... 26 de Junho, 2026 Dirigentes nas administrações públicas aumentaram 1,3% no final... 26 de Junho, 2026 Quase 1,5 milhões bebem álcool e 1,3 milhões... 25 de Junho, 2026 Mais de um terço dos estrangeiros em Portugal... 22 de Junho, 2026 Deixe um comentário Cancelar resposta Guardar o meu nome, e-mail e página Web neste navegador para a próxima vez que eu comentar. Δ