Opinião Setembro – Amarelo por Incentivo 28 de Setembro, 2026 publicado por Incentivo 28 de Setembro, 2026 22 visualizações 22 Setembro é o mês amarelo, dedicado à sensibilização para a saúde mental e à prevenção do suicídio. Mas, apesar de se falar cada vez mais sobre este tema, continuamos, muitas vezes a falar pouco, tarde demais e com algum receio. A Saúde mental, uma realidade tão presente e, ainda assim, tão tabu nos dias que correm. Talvez porque ainda seja um assunto desconhecido para muitos. Talvez porque assuste. Talvez porque nem sempre existam respostas rápidas para dores que não se veem. E quando não há compreensão, acompanhamento ou apoio, o sofrimento pode assumir formas muito duras: dependências, isolamento, perda de esperança e, em alguns casos, o suicídio. Mas há também uma verdade que precisamos de repetir: pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É um ato de coragem. Saúde mental não deve ser um assunto de um mês. Deve ser uma preocupação de todos os dias. Que saibamos olhar mais, ouvir sem julgar, perguntar “Estás bem?” e, sobretudo, estar presentes. Porque, por vezes, uma conversa, um abraço ou simplesmente alguém que fica pode fazer toda a diferença. Falar de saúde mental é cuidar. É prevenir. É salvar vidas. Hoje, nas redes sociais, assistimos à notícia da partida do Jovem Presley Gerber: bonito, famoso e com um futuro promissor, numa família aparentemente unida, famosa, e, aos olhos de quem está de fora, parecia ter amor, apoio e todas as condições para ser feliz. Mas a saúde mental não escolhe rostos, famílias, estatuto social ou condições de vida. Presley encontrava-se internado para tratar problemas relacionados com adição e saúde mental, realidades que assumia publicamente. Falava nestes temas porque queria ajudar outros jovens que, tantas vezes sozinhos, assombrados por pensamentos devastadores, por uma tristeza profunda e por uma dor que nem sempre conseguem explicar. Uma das perguntas mais frequentes é: “Se têm família, amor, dinheiro, conforto e oportunidade, porque é que não estão bem?” A resposta é que a saúde mental não é sinónimo de ter uma vida confortável. Uma pessoa pode ter tudo aquilo que, por fora, parece necessário para ser feliz e, ainda assim, estar a sofrer profundamente por dentro. A OMS – Organização Mundial de Saúde, define saúde mental como a capacidade de lidar com as dificuldades da vida, desenvolver capacidades, trabalhar e relacionar-se com os outros – e sublinha que ela resulta da interação de muitos fatores individuais, familiares, sociais e ambientais. Por detrás da saúde mental está muito mais do que uma doença ou um diagnóstico. Está uma pessoa inteira: a sua história, aquilo que viveu, o que sente, as relações que construiu e também aquilo que, muitas vezes, ninguém vê. Há vários fatores que podem estar por detrás do equilíbrio – ou do sofrimento – mental: Família e relações – sentir-se amado, ouvido, respeitado e pertencente; Experiência de vida – perdas, rejeição, violência, abandono, bullying, traumas ou mudanças bruscas; Pressão e expectativas – Querer corresponder ao que os outros esperam, procurar a perfeição ou sentir que nunca é suficiente; Solidão e isolamento -podemos estar rodeados de pessoas e, ainda assim, sentirmo-nos profundamente sós; Condições sociais e económicas – insegurança, desemprego, dificuldades financeiras, habitação ou falta de oportunidades também pesam na saúde mental; Corpo e cérebro – Sono, alimentação, consumo de substâncias, doenças físicas, alterações hormonais e fatores biológicos podem influenciar o bem-estar psicológico; Sentido de vida – ter objetivos, esperança, vínculos, prazer nas pequenas coisas e sentir que a nossa vida tem significado; Capacidade de pedir ajuda – muitas pessoas sofrem em silêncio porque têm vergonha, medo de serem julgados ou porque ainda existe muito desconhecimento. Há no meu ver uma ideia particularmente importante, ter uma família que ama, conforto ou estabilidade financeira não torna ninguém imune ao sofrimento psicológico. A dor emocional não é uma questão de falta de gratidão nem falta de amor. A saúde mental também se constrói antes da crise: através da escuta, da proximidade, do sono, da atividade física, das relações saudáveis, da redução do consumo de álcool e de outras substâncias, do acesso atempado a profissionais e, sobretudo, de uma sociedade onde pedir ajuda não seja motivo de vergonha. Prevenir é reparar nos sinais enquanto ainda há tempo. Às vezes, uma simples pergunta – “Como estás, mas como estás mesmo?” – pode abrir uma porta que a pessoa já não conseguia abrir sozinha. Nunca se esqueça por detrás de muitos sorrisos pode existir uma luta que ninguém conhece. Peça ajuda, cuide de si! Porque pedir ajuda não é fraqueza, é um ato de coragem! Falar pode ser o primeiro passo para voltar a ter esperança! Falar pode salvar. Escutar pode fazer a diferença! Setembro Amarelo – Campanha de consciencialização sobre a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental! Horta, setembro de 2026 (Licenciada em Ciências Sociais) 0 FacebookTwitterPinterestE-mail publicações anteriores Prisão preventiva para homem detido nas Angústias Leia também Setembro – Amarelo 28 de Setembro, 2026 O tempo político e o tempo no Porto... 28 de Setembro, 2026 Os de São Mateus, a Salomé e o... 24 de Setembro, 2026 27 de setembro — O dia em que... 23 de Setembro, 2026 Progresso é obras, mas também, mais economia 23 de Setembro, 2026 O comboio que não chega às Ilhas 21 de Setembro, 2026 Deixe um comentário Cancelar resposta Guardar o meu nome, e-mail e página Web neste navegador para a próxima vez que eu comentar. Δ