Opinião Bairrismos arquipelágicos por Incentivo 27 de Maio, 2026 publicado por Incentivo 27 de Maio, 2026 44 visualizações 44 Passa a ser doentio quando ouvimos vozes de responsáveis partidários, agentes económicos e líderes sociais com discursos divisionistas, a ser contra projetos noutras ilhas que não tiram nada à sua ou a quererem algo apenas porque outra tem, mesmo que a vocação dessa terra pouco careça desse investimento. [ihc-hide-content ihc_mb_type=”show” ihc_mb_who=”4,3,2,1″ ihc_mb_template=”1″ ] Quanto há cinquenta anos nasceu a Autonomia dos Açores, a novidade do novo sistema administrativo no arquipélago e a inteligência e argúcia dos líderes regionais de então conseguiram tornar um conjunto de ilhas na generalidade das quais de costas viradas umas para as outras, numa única Região Autónoma dos Açores. Este sistema nasceu de três distritos que mal se articulavam entre si e que respondiam cada um diretamente ao poder de Lisboa. Talvez apenas a proximidade Faial-Pico permitia que estas duas ilhas tivessem intensa interligação na sua vida económica e social diária, enquanto as restantes eram mundos individuais separados por mar ou administrativamente dependentes de decisões emanadas das capitais dos ex-distritos. Assim, pouco depois de 1976 criou-se uma identidade e pertença Açoriana que ia de Santa Maria ao Corvo e unia todas as ilhas. Era então possível aceitar com naturalidade investimentos infraestruturais nas ilhas onde estes mais careciam sem gerar rivalidades de outras que ficavam à espera. Verdade que para esta unidade também contribuiu o aparecimentos e cobertura por todas as ilhas pelo sinal de televisão da RTP-Açores que mostrava a cada Açoriano todas as outras ilhas do seu Arquipélago que eram praticamente desconhecidas. A verdade é que só bem mais tarde, quando todas as ilhas já estavam minimamente infraestruturadas de portos, aeroportos, eletricidade, entre outros e o desafio económico passou a ter um peso mais importante para o desenvolvimento regional do que a infraestruturação por obras públicas, é que o bairrismo de rivalidade entre ilhas começou a tomar uma dimensão doentia. Considero que lutar pelos interesses da sua terra – neste artigo: a sua ilha -; não é doentio quando não se faz contra ninguém. Passa a ser doentio quando ouvimos vozes de responsáveis partidários, agentes económicos e líderes sociais com discursos divisionistas, a ser contra projetos noutras ilhas que não tiram nada à sua ou a quererem algo apenas porque outra tem, mesmo que a vocação dessa terra pouco careça desse investimento. Todavia, além da situação referida no parágrafo anterior de que o Faial tem sido alvejado por algumas vozes públicas na rádio, televisão e jornais, além de muitas opiniões de cidadãos comuns nas redes sociais da internet, esta ilha, nas últimas décadas foi ainda alvo de um empobrecimento resultante da retirada de Serviços e de desativação de infraestruturas aqui sediadas no passado, que simplesmente foram colocadas noutras ilhas e frequentemente com apoios financeiros da administração regional. Assim, mais ou menos calmamente durante este ciclo bairrista da Autonomia dos Açores, saiu do Faial para outras ilhas do Arquipélago o ensino do Magistério Primário para outros polos universitários, saiu a fábrica de conservas de peixe em nome de uma reestruturação que foi evidente contar com apoios públicos, saiu a Rádio Naval com oferta de espaços pelo Governo dos Açores, saiu os serviços do Banco de Portugal e várias outras competências de Serviços e Departamentos do Governo Regional, sem em nenhum caso termos visto sair das ilhas de destino do referido imediatamente atrás nada em direção ao Faial. São simplesmente saídas em série, levando a um empobrecimento do Faial, sem nada em troca vindo de qualquer outra ilha. A situação agora do navio Thor, que efetivamente estava no Faial, não para servir esta ilha, mas sim o Corvo, sobe um patamar nesta tendência. Era um serviço público que era prestado a partir da Horta porque este era o porto mais próximo do destino e como tal com menos custos em termos de transporte por menos tempo de viagem, menos consumo de combustíveis pela região, menos emissões de gases com efeito estufa. Entrou-se num período em que o empobrecimento do Faial é acompanhado por decisões em prejuízo global da Região Autónoma dos Açores. [/ihc-hide-content] Bairrismos arquipelágicosCarlos Faria 0 FacebookTwitterPinterestE-mail publicações anteriores PPM denuncia cancelamento de voo para o Corvo por falta de bombeiros no aeródromo próximas publicações A inevitabilidade do gás e a indiferença governativa dos Açores Leia também Em memória do meu amigo Álvaro Matos, que... 16 de Julho, 2026 Capital Europeia da Cultura: Compromisso Regional 14 de Julho, 2026 Os Filhos da Reconstrução 7 de Julho, 2026 Reflexões a 4 anos da Agenda 2030: Será... 6 de Julho, 2026 Em memória do meu amigo Álvaro Matos: Quando... 2 de Julho, 2026 Horta, 193 anos de Cidade. Estados Unidos da... 30 de Junho, 2026 Deixe um comentário Cancelar resposta Guardar o meu nome, e-mail e página Web neste navegador para a próxima vez que eu comentar. Δ