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Apontamentos Portuários

por Incentivo
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É preciso agir com decisão, avançando de forma concreta para o reordenamento do plano de água do Porto da Horta, garantindo diálogo com a comunidade marítima, facilitando o acesso às infraestruturas e investindo na manutenção e modernização do porto.

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Empresa Portos dos Açores do esvaziamento ao esquecimento

É natural que os faialenses sintam um profundo vazio perante o papel que esta empresa tem desempenhado nos últimos tempos. Pela primeira vez, o seu Conselho Executivo não integra qualquer representante deste lado do arquipélago, uma prática que vinha sendo seguida desde a criação da Portos dos Açores, S.A., em 2011, através do Decreto Legislativo Regional n.º 15/2011/A, de 2 de junho, que agregou as três administrações portuárias então existentes numa única empresa regional.

Embora a sede administrativa se mantenha na Horta, a sede executiva encontra-se, pela primeira vez, em Ponta Delgada. Este facto simboliza o afastamento crescente e o esquecimento a que o Porto da Horta tem sido votado.

Mas não é apenas a infraestrutura portuária que sofre com esta tendência, os próprios quadros e recursos humanos da empresa no Faial têm sido alvo de uma progressiva desvalorização. Funções outrora centrais foram esvaziadas de conteúdo, decisões relevantes passaram a ser tomadas à distância, e a experiência acumulada dos profissionais locais parece hoje desconsiderada. Esta perda de reconhecimento interno reflete uma política de centralização que enfraquece o papel da Horta no contexto regional.

Não existe diálogo com a nossa comunidade marítima, nem qualquer apresentação de soluções para o reordenamento do porto. As obras em terra permanecem uma miragem, o Largo Manuel de Arriaga continua abandonado e o projeto do Parque de Invernagem parece ter sido definitivamente esquecido.

A tudo isto somam-se os recentes episódios envolvendo o rebocador e a lancha dos pilotos, que são apenas mais exemplos da contínua desvalorização da nossa infraestrutura portuária e dos profissionais que nela trabalham.

 

Acesso à Doca

O acesso à doca, que já apresentava dificuldades, tornou-se ainda mais complicado. Quem tem necessidades de se deslocar às casas de apetrechos, à grua ou para fazer reparações nos barcos sente-se estrangeiro na sua própria terra. Atualmente, para aceder a essa zona do plano inclinado é necessária uma autorização da GNR, com o pagamento de uma taxa adicional. Sem essa autorização, a multa é de umas centenas de euros.

Perante isto, surge a pergunta: por que razão o acesso não é livre até às casas de apetrechos e à grua, colocando-se cancelas com guarda apenas a partir dessa zona em direção à doca? São situações que só acontecem no Faial, e esta é mais uma delas. Já estava mau, mas acabou por piorar e muito, sendo mesmo uma falta de respeito.

 

Clube Naval da Horta

Foi criado um Grupo de Trabalho para avaliar todo o conjunto de necessidades de infraestruturas do Clube Naval da Horta, com data de conclusão prevista para setembro. Estamos em novembro, mais uma direção termina o mandato e, mais uma vez, nada foi feito.

O único edifício público, da responsabilidade do Governo Regional dos Açores, que não sofreu obras após o sismo de 1998, continua a ser negligenciado e ninguém cumpre com a palavra dada. Nenhuma obra nos últimos cinco anos foi realizada naquele espaço.

Resta-me, enquanto associado, enaltecer e agradecer o esforço, a coragem e a competência com que os destinos do Clube foram geridos nos últimos anos pela sua direção. Porque das entidades oficias não se espera muito mais.

 

Marina da Horta

Pela anteproposta de Plano para 2026, percebe-se que este será apenas mais um ano de adiamentos. O tão necessário investimento na Marina da Horta volta a ficar esquecido nas intenções e nas prioridades da empresa. A Marina, outrora motivo de orgulho para o Faial e referência internacional na vela de recreio, tem sido sucessivamente negligenciada.

As infraestruturas marítimas carecem de manutenção urgente em vários pontos, e as estruturas em terra encontram-se num estado cada vez mais degradado, indigno de um dos portos de recreio mais importantes e reconhecidos do mundo. Passeios sem manutenção, eletricidade quase insistente, acessos e equipamentos apresentam sinais visíveis de abandono, refletindo uma falta de visão e de compromisso com o futuro desta infraestrutura estratégica, não só para o Faial, mas para todo o arquipélago dos Açores.

Sem a concretização da obra do novo edifício, a frente de mar da Horta, uma intervenção com a qual nunca concordei, permanece coxa e sem fim à vista. Fica um espaço fragmentado, desprovido de coerência funcional e estética, que em nada honra a importância histórica e simbólica do nosso porto.

 

Travel Lifft

A falta de diálogo com a comunidade marítima tem levado à tomada de decisões avulsas, desconectadas das necessidades e expectativas locais. Um exemplo recente é o concurso para a aquisição de um travel lift de 70 toneladas, que ficou aquém do que os faialenses esperavam. O que realmente se desejava era um equipamento de 100 toneladas, acompanhado da ampliação do plano inclinado.

Essa opção permitiria ao Porto da Horta dispor de capacidade para receber embarcações maiores, aumentando a atratividade da marina e do porto de recreio. Além disso, traria mais-valias económicas significativas, criando oportunidades de negócios, manutenção e turismo náutico que atualmente se perdem para outros portos da região ou internacionais.

Tomar decisões isoladas, sem ouvir quem está diariamente ligado à vida marítima do Faial, compromete não só o aproveitamento pleno da infraestrutura portuária, mas também a confiança da comunidade local na gestão da empresa. Mais do que equipamentos, são projetos integrados e pensados em conjunto que poderiam garantir um porto competitivo, funcional e sustentável.

 

Transporte de Mercadorias acerta o passo

Depois de quatro anos de dificuldades no transporte de mercadorias, foi finalmente encontrada uma solução digna de registo, pela regularidade com que o serviço tem sido prestado no Porto da Horta. Trata-se de uma medida benéfica para a nossa economia, que afeta positivamente o dia a dia das empresas e merece uma nota positiva para todas as entidades envolvidas, desde o Governo Regional e o Município, aos operadores privados e à CCIH que sempre se bateu por uma regularização deste serviço, repondo a normalidade.

 

Conclusão

É urgente que a gestão da Empresa Portos dos Açores, S.A. ultrapasse os erros do passado e deixe de se limitar a desculpas ou adiamentos. É preciso agir com decisão, avançando de forma concreta para o reordenamento do plano de água do Porto da Horta, garantindo diálogo com a comunidade marítima, facilitando o acesso às infraestruturas e investindo na manutenção e modernização do porto. A memória, o trabalho e a história de gerações de faialenses exigem respeito e ação imediata, transformando o Porto da Horta numa infraestrutura funcional, competitiva e estratégica para o futuro económico e social da ilha e do arquipélago.

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