Nacional FAO destaca importância da gestão na pesca sustentável por Incentivo 11 de Junho, 2025 publicado por Incentivo 11 de Junho, 2025 27 visualizações 27 Mais de três quartos (77,2%) dos desembarques pesqueiros globais em 2021 foram provenientes de ‘stocks’ sustentáveis, o que indica boa gestão da pesca de maior rendimento, indica um relatório da ONU divulgado hoje. O documento refere que em termos gerais quase dois terços (64,5%) dos ‘stocks’ de pesca avaliados foram pescados dentro dos níveis sustentáveis e que 35,5% foram classificados como sobre-explorados. Da responsabilidade da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o relatório foi hoje divulgado durante a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que decorre em Nice, França. Com base nas capturas e dados mais recentes, envolvendo mais de 650 especialistas de 92 países, o relatório avaliou 2.570 stocks pesqueiros individuais. Destacando que a sobrepesca continua a aumentar, em média 1% ao ano, o documento também nota que houve melhorias na sustentabilidade dos ‘stocks’ de atum (87% considerados sustentáveis), e expressa preocupações com espécies de águas profundas e tubarões migratórios, que continuam sob pressão. Apesar dos desafios em algumas regiões e da necessidade urgente de ação global, as áreas com sistemas de gestão consolidados e baseados em evidências científicas reportam elevadas taxas de sustentabilidade, muito acima da média global: 92,7% no Pacífico Nordeste, 85% no Pacífico Sudoeste e 100% nas pescarias da Antártida, o que mostra que “onde a gestão funciona, os ‘stocks’ prosperam”. “A gestão eficaz continua a ser a ferramenta mais poderosa para a conservação dos recursos haliêuticos. Esta revisão proporciona uma compreensão abrangente sem precedentes, permitindo uma tomada de decisões mais informada com base em dados”, afirmou Qu Dongyu, diretor-geral da FAO, num comunicado sobre o relatório. As conclusões do documento sublinham a importância do investimento contínuo em dados e gestão, especialmente em regiões com escassez de dados, para garantir a sustentabilidade a longo prazo. Segundo o relatório, o Mediterrâneo e o Mar Negro mostram os primeiros sinais de recuperação e, embora apenas 35,1% dos stocks sejam pescados de forma sustentável, a pressão pesqueira caiu 30% e a biomassa aumentou 15% desde 2013. Outras áreas do mundo, segundo o documento, continuam sob intensa pressão. No Pacífico Sudeste apenas 46% dos stocks são pescados de forma sustentável, enquanto o Atlântico Centro-Leste atinge os 47,4%. Trata-se de regiões que abrangem países onde a pesca é fundamental para a segurança alimentar e nutricional, para o emprego e a redução da pobreza, particularmente através de operações artesanais e de pequena escala. O relatório, um documento de quase 500 páginas, começa por destacar a importância da pesca para a segurança alimentar e nutricional, a economia e o bem-estar das comunidades costeiras, e por conseguinte a importância de manter a pesca marinha sustentável. Recordando que faltam apenas cinco anos para a realização da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, os autores avisam que se torna cada vez mais claro que muitos dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) continuam fora de alcance, e que a fome e subnutrição generalizadas, o agravamento dos impactos das alterações climáticas e os conflitos políticos continuam a ser desafios significativos. O ODS 14 (proteger a vida marinha) é dos menos financiados e o seu ponto quatro, de regulamentação da pesca, é também muito incerto. A área do Atlântico Nordeste, onde se insere Portugal é classificada pela FAO como a quarta zona de pesca marinha mais produtiva do mundo, sendo responsável por 10% das capturas globais. É uma região com uma forte pesca industrial, onde o declínio de pesca de espécies tradicionais, como o bacalhau, foi compensado por mais pesca de espécies antes desvalorizadas, como o verdinho (Micromesistius poutassou). A FAO alerta para o risco a que está sujeito o arquipélago dos Açores, pela pesca, mas também pelos impactos do turismo, do lixo marinho e do transporte marítimo. E acrescenta: As águas em torno dos Açores têm vindo a aquecer nos últimos anos, com a comunidade de plâncton a ficar mais pequena e a taxa de deteção de espécies não indígenas a aumentar. “Existem habitats importantes para os corais de água fria que também estão em risco devido ao aquecimento e à acidificação dos oceanos”, alerta-se no documento. Sobre a região do Atlântico Nordeste estima-se que cerca de 75,8% dos ‘stocks’ avaliados sejam pescados dentro de níveis sustentáveis, e indica-se que houve melhoria no estado de alguns ‘stocks’, como o bacalhau polar do nordeste, a cavala ou o arenque. A FAO diz também que há um “número significativo” de ‘stocks’ que está sobre-explorado, que há outros cujo estado é desconhecido. Em termos gerais, se por um lado uma boa gestão levou a uma recuperação do atum, as pescarias de profundidade continuam a enfrentar desafios, com apenas 29% das unidades populacionais de profundidade pescadas de forma sustentável, exceto na zona do Antártico. Texto LUSA / Foto Direitos Reservados FAOMarPescas 0 FacebookTwitterPinterestE-mail publicações anteriores Pedro Catarino defende participação dos Açores no Conselho de Ministros próximas publicações Açores e a Semana de 4 Dias Leia também Portugal assinala 130 anos de primeira campanha oceanográfica 1 de Setembro, 2026 ZERO alerta para agravamento da qualidade das águas... 1 de Setembro, 2026 Restos mortais de D, Jaime chegam na terça-feira... 31 de Agosto, 2026 Espécies marinhas invasoras em Portugal aumentaram 75 por... 28 de Agosto, 2026 Animais do Zoo de Lisboa mostraram indiferença com... 13 de Agosto, 2026 Portugal continental em seca meteorológica com o mês... 10 de Agosto, 2026 Deixe um comentário Cancelar resposta Guardar o meu nome, e-mail e página Web neste navegador para a próxima vez que eu comentar. Δ