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Herdeiros do Fascismo (II)

por Incentivo
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Não estou disponível para ensinar boas maneiras a políticos, jovens e frescos, inchados pelo poder, que se acolhem sob o resplendor do santo que veneram, com o à-vontade e a segurança de quem proclama ao mundo: Isto aqui é tudo nosso!

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A Assembleia Municipal da Horta reúne segunda-feira na sua sessão ordinária de fevereiro.

Desde as últimas eleições autárquicas que a presidente adotou um novo método de divulgação das sessões.

Seguindo religiosamente as ordens da Câmara, ou melhor, de quem manda na Câmara, que não é o seu presidente, deixou de publicar no jornal Incentivo os editais que informam a data, a hora e o local das reuniões, bem como a respetiva ordem do dia. Deixou de publicar também os editais com as deliberações, como era costume.

Abordada pelo sócio-gerente do Incentivo, Fernando Lemos, sobre a razão desta mudança de atitude, disse que o assunto ainda não estava resolvido em definitivo. O representante do jornal pediu que, quando houvesse decisão, informasse o mesmo, para efeitos de previsão de receitas. Nunca mais disse nada.

Confrontada pelo outro sócio-gerente do Incentivo, eu próprio, a propósito do mesmo procedimento em relação ao Conselho de Ilha, de que também é presidente, Teresa Ribeiro começou por esclarecer que a publicação no nosso jornal é mais cara.

Estranhei, visto que nem sequer pediu orçamento. É igualmente estranho que, depois de desempenhar o cargo durante oito anos, só agora tenha dado por isso.

Como este argumento não colheu, provavelmente porque estava mal instruída pela Câmara, lembrou-se então de outro.

Adiantou que a opção era, ou passou a ser naquele momento, publicar no Tribuna das Ilhas, que mantém a edição em papel, pois por via eletrónica a Assembleia e o Conselho têm os seus próprios meios.

Convém esclarecer que o Conselho de Ilha não possui site e o da Assembleia Municipal carece, há muito tempo, de atualização. Aliás, está acessível através da plataforma do Município, o que o autonomiza muito pouco.

Já não falo de transição digital, que a Câmara aplica cada vez mais nos seus próprios serviços, nem de apoio às empresas.

Vou demorar-me um pouco mais neste texto, mas é necessário para que se perceba as verdadeiras intenções do grupo que domina a Câmara e a Assembleia. Como fiz no último que publiquei a que dei o mesmo título de Herdeiros do Fascismo. Faço-o sem preocupação uma vez que, aqueles a quem o assunto não interessa, naturalmente não lerão; os outros, todos leem, principalmente os herdeiros do fascismo.

Quando esta nova equipa que dirige a Câmara tomou posse pela primeira vez, acordámos com o senhor Presidente a publicação de publicidade. O objetivo era óbvio e, para além disso, necessário. A concordância de Carlos Ferreira foi depois sublinhada pelos vereadores numa visita à Redação do jornal. Mais tarde é que percebemos que foram lá para nos alisar o pelo. Só que nós não gostamos de ser apalpados.

Não cumpriram o compromisso e nunca nos disseram nada. É próprio de quem tem medo da sua sombra. Um dos membros da Câmara, tentando pôr-se do nosso lado, posteriormente deu-nos a entender que havia uma justificação. Não podia era ser dada. Tratava-se de um julgamento de natureza editorial. Para bom entendedor…

Não concordando com a decisão de Teresa Ribeiro, não deixo de notar semelhanças no comportamento. Quando pedimos que nos informasse sobre a sua decisão, também não disse nada. Talvez também tenha medo, não dos jornalistas, que não assustam ninguém, mas de quem realmente manda nela.

O que me surpreende é o facto de, sendo a Assembleia Municipal um organismo autónomo, estarem os restantes membros da Mesa e os deputados municipais todos de acordo. Ainda por cima há uma conferência de representantes dos grupos municipais que ainda não deu por nada. Ou então também aceitam ser mandados.

Vou dispensar os argumentos que, a nosso ver, justificam a publicação em causa. Seria inútil desfiá-los. Não para os leitores, que fazem o seu próprio juízo, mas para os que mandam nisto tudo, aqueles tais que vão ler o texto até ao fim. Não quero maçá-los.

Por mais de uma vez me referi a este assunto aqui, nesta coluna de opinião. Pretendo que seja a última. Não faltam assuntos mais interessantes para tratar.

 

Conselho de Ilha

Vou ainda fazer uma referência ao mais recente Conselho de Ilha, na sequência do que venho a expor.

O Conselho reuniu numa sexta-feira à tarde.

Como se sabe, o Tribuna das Ilhas é um semanário, que fecha a sua edição com alguma antecedência. Não tendo sido possível a publicação atempada do Edital que convocava o Conselho de Ilha, ele só saiu na edição do próprio dia, na sexta-feira. O jornal é distribuído pelo Correio e, por essa razão, só chega à maioria dos leitores durante o dia e a muitos deles da parte da tarde. A informação da reunião, o dia, a hora e o local, bem como a ordem de trabalhos, não se pode dizer que tenha chegado a tempo ao conhecimento dos cidadãos.

Ora, não teria sido uma oportunidade de aproveitar a celeridade online de uma publicação como o Incentivo, para que chegasse ao maior número possível de cidadãos? É só um exemplo.

Ainda sobre o Conselho de Ilha, agora outro caso.

Os conselheiros vêm, há mais de um ano, como é sabido, a esperar por uma reunião com José Manuel Bolieiro.

O Conselho tem um representante do Governo regional, José da Terra Carlos, designado pelo seu presidente.

Bolieiro disse, como foi notícia, que não tinha conhecimento de nenhum pedido de reunião.

Não seria razoável aproveitar o conselheiro representante do Governo para realizar todas as diligências necessárias no sentido de desbloquear o problema? É que assim ficamos sem saber quem é o verdadeiro responsável por não se ter ainda realizado a dita reunião. Se é o presidente do Governo, deve retratar-se; se é a presidente do Conselho de Ilha, deve demitir-se. A menos que os conselheiros não se importem de ser enganados.

Ainda há mais uma história interessante e cheia de significado, passada exatamente nos Paços do Concelho, no dia do Conselho de Ilha. Mas como a prosa já vai longa, fica para outras núpcias, se vier a propósito.

Se a conto agora, nunca mais se repete e eu não estou disponível para ensinar boas maneiras a políticos, jovens e frescos, inchados pelo poder, que se acolhem sob o resplendor do santo que veneram, com o à-vontade e a segurança de quem proclama ao mundo: Isto aqui é tudo nosso!

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