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O estranho caso do Corvo

por Incentivo
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José Manuel Bolieiro afirmou que quer manter a liderança da Associação de Municípios dos Açores. Para atingi-la precisa que o PSD ganhe Câmaras. Vendo o seu partido a aconselhar o voto no PS e vendo um dos seus parceiros de coligação no Governo apoiar um independente, não deve estar muito satisfeito.

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As próximas eleições autárquicas apresentam-se com várias novidades.

Nos Açores assistimos à entrada de leão do CHEGA, com candidaturas em todos os concelhos e a aposta clara nos nomes mais sonantes do partido em alguns deles.

O Partido Socialista também concorre em todos os concelhos mas, devido às circunstâncias difíceis em que se encontra, nomeadamente em consequência dos últimos resultados para as Assembleias Regional e da República e também da mudança de líderes, não poderá ter grandes ambições.

Estas dificuldades estão agravadas, por exemplo em Ponta Delgada, onde o partido vê uma antiga militante a liderar um movimento de independentes.

Quanto ao PSD o caso é mais estranho.

A Comissão Política Regional e o seu presidente, depois de ter afirmado que o partido concorreria no Corvo, deu o dito por não dito e veio agora declarar que não dá qualquer orientação de voto aos corvinos. Isto depois da Comissão Política local ter anunciado apoio ao candidato socialista.

No Corvo há mais um caso inédito e de difícil compreensão. Paulo Margato concorre à Câmara à frente de uma lista de independentes.

Ora, como se sabe, o médico afirma-se monárquico mas, apesar disso, não concorre pelo seu partido. Porém tem o apoio de Paulo Estêvão. Esta ainda é mais difícil de compreender.

O Corvo está portanto no centro das atenções. Não só pelo que descrevi acima mas também por outra razão de âmbito regional.

José Manuel Bolieiro afirmou que quer manter a liderança da Associação de Municípios dos Açores. Para atingi-la precisa que o PSD ganhe Câmaras. Vendo o seu partido a aconselhar o voto no PS e vendo um dos seus parceiros de coligação no Governo apoiar um independente, não deve estar muito satisfeito.

No Faial também há algumas novidades assinaláveis.

O CHEGA não concorre nas freguesias, o que é sempre um inconveniente para um partido que almeja um bom resultado para a Câmara.

O PSD faz duas alterações cirúrgicas nos candidatos à Câmara que não passam desapercebidas. Sai o vice-presidente, entra um candidato novo e a vereadora é promovida a número dois. Não se pode dizer que se trate de uma grande mexida numa equipa que está a cumprir o seu primeiro mandato, todavia é significativa.

Já o Partido Socialista contribui para a grande novidade. Não concorre nos Cedros por não ter conseguido formar a lista, embora o tenha tentado até à última hora.

Outro aspeto, este geralmente considerado como positivo, é a renovação que se nota nas listas socialistas. Desde logo a da Câmara, em relação às últimas eleições. Diz-se por aí que foi uma renovação imposta pela realidade. Ou seja, os nomes mais sonantes do partido não se mostraram disponíveis para integrar as listas.

Acresce que esta sempre desejada renovação se estende às freguesias no que se refere aos dois maiores partidos: PS e PSD.

Outras dificuldades encontraram partidos mais pequenos como a CDU e o Bloco de Esquerda. No caso da coligação dos comunistas é significativa a redução de Juntas a que concorre, quando a comparação é feita com eleições anteriores.

Ainda antes de serem conhecidos os programas não se pode dizer que a próxima campanha eleitoral esteja despojada de motivos de interesse, com relevo para o  estranho caso do Corvo.

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