Opinião Ocaso democrático por Incentivo 11 de Maio, 2026 publicado por Incentivo 11 de Maio, 2026 29 visualizações 29 Infelizmente, ao olhar a civilização ocidental nos últimos tempos, onde os Açores e Portugal se incluem, a sensação que tenho, é que as democracias estão a ficar com fissuras, a mostrar sinais de deterioração e um descontentamento transversal aos diferentes Povos sob regimes capitalistas liberais democráticos está a levá-los a aderir, cada vez mais intensamente, a forças musculadas que falam cobertas pelo chapéu do populismo. [ihc-hide-content ihc_mb_type=”show” ihc_mb_who=”4,3,2,1″ ihc_mb_template=”1″ ] O atual regime democrático em Portugal completou 52 anos no passado mês de abril. Na maioria dos países ocidentais da Europa, a democracia está instalada, pelo menos, desde o final da segunda grande guerra mundial em 1945, sendo mesmo centenária nalguns, e é preciso ir a certos países democráticos mais a oriente no Velho Continente para nos cruzarmos com este tipo de regime sem ter atingido ainda os 30 anos. Dir-se-ia que a democracia criou raízes, instalou-se e veio para ficar. Infelizmente, ao olhar a civilização ocidental nos últimos tempos, onde os Açores e Portugal se incluem, a sensação que tenho, é que as democracias estão a ficar com fissuras, a mostrar sinais de deterioração e um descontentamento transversal aos diferentes Povos sob regimes capitalistas liberais democráticos está a levá-los a aderir, cada vez mais intensamente, a forças musculadas que falam cobertas pelo chapéu do populismo. Os grandes países que eram considerados os garantes da democracia ocidental, estão a cair paulatinamente na cilada e até o maior deles é já mais uma fonte de preocupação para a sobrevivência da democracia, dentro e fora deste, do que um protetor desta. Assisto à incapacidade dos regimes democráticos vencerem esta onda que tem em si as sementes do autoritarismo e do totalitarismo. Vi o argumento de a educação ser o melhor garante da democracia, por permitir o voto esclarecido, cair em países que se orgulham dos seus elevados níveis de formação e literacia, mas que já votaram maioritariamente em forças extremistas. Reconheço que nos Açores e em Portugal a qualidade de vida e as disponibilidades económicas das pessoas hoje em dia é muito superior à que me lembro de existir até 1974, mas há décadas que ouço sempre descontentamento das pessoas e raramente o reconhecimento de uma melhoria das condições de vida face ao passado. Refletindo sobre as causas para este risco de ocaso da democracia vislumbro várias razões: – A gestão de perspetivas. Todos os partidos que já foram poder apresentaram programas e intenções em campanhas eleitorais pelos máximos, que depois são praticamente impossíveis ou difíceis de concretizar e as oposições cobram sempre pelos máximos, como se elas próprias, quando estiveram no poder, as tivessem implementado. Esta estratégia e confronto conduz à desilusão do eleitorado. – A vontade de experimentar soluções novas após as desilusões do passado. Na realidade, é cada vez mais comum ouvir-se “são todos iguais e “prometem nas eleições e quando lá chegam fazem o mesmo”. Esta constatação, conduz à vontade de testar quem não foi ainda poder e por isso se verifica, cada vez mais, que enquanto as forças do arco da governação se acusam e se defendem reciprocamente com o presente e o passado, o descontentamento alastra e a aposta vai diretamente para o extremismo, dado que a memória de autoritarismo quase deixou de existir entre os eleitores. – A exploração da indignação pelo mediatismo. Nisto as redes sociais são o expoente máximo e resultam no descrédito de todos os que se envolvem na causa pública. Não importa o quanto se esforça um cidadão, mal se envolve e tem de tomar decisões, logo é alvo de suspeitas, acusado de desonesto e oportunista, afastando-se assim dos cargos uma fração significativa de gente competente menos voluntarista, que não se quer expor a este mediatismo destruidor da honra por canais caçadores de audiências na TV ou de internautas ávidos de gostos nas suas publicações. – A força dos mais fortes na tomada de decisões. Goste-se ou não, o capitalismo liberal, embora suportado na matemática de uma pessoa um voto, independentemente deste ser consciente, altruísta, ideológico ou inconsciente, de protesto ou interesseiro; a governação parece refém da banca, das multinacionais, dos impérios económicos nacionais ou das regiões mais populosas, cujos seus interesses parecem, por norma, vencedores nas decisões finais, em prejuízo de qualquer pessoa anónima que luta diariamente para ter rendimentos para viver com dignidade. Tudo isto está a minar a democracia e o seu ideal não consegue defender-se contra isto e as pessoas estão disponíveis para arriscar algo diferente mesmo, apesar de no passado ter acabado sempre mal. [/ihc-hide-content] Carlos FariaOcaso democrático 0 FacebookTwitterPinterestE-mail publicações anteriores Sismo próximo de São Jorge próximas publicações Núncio apostólico promete ser “bom advogado” no convite ao Papa para visitar Açores Leia também Em memória do meu amigo Álvaro Matos, que... 16 de Julho, 2026 Capital Europeia da Cultura: Compromisso Regional 14 de Julho, 2026 Os Filhos da Reconstrução 7 de Julho, 2026 Reflexões a 4 anos da Agenda 2030: Será... 6 de Julho, 2026 Em memória do meu amigo Álvaro Matos: Quando... 2 de Julho, 2026 Horta, 193 anos de Cidade. Estados Unidos da... 30 de Junho, 2026 Deixe um comentário Cancelar resposta Guardar o meu nome, e-mail e página Web neste navegador para a próxima vez que eu comentar. Δ